Educação: compromisso de valor

POSTADO POR thiago 25, novembro, 2019
Comportamento

Luiz Augusto Mattana  da Costa Leite

Você sabia que:

  • Ao final do terceiro ano do ensino fundamental, 55% das crianças não sabem ler palavras com mais de uma sílaba e contar objetos?
  • Para cada cem alunos que iniciam o primeiro ano fundamental, apenas 50% alcançam o médio?
  • Os que concluem o ensino médio, 29% têm proficiência em Língua Portuguesa e 9% em Matemática?
  • Mais de 23% dos jovens de 15 a 19 anos não trabalham nem estudam (nem-nem)?
  • O brasileiro produz 40% do que um coreano produz?*

Pense agora em algumas  competências profissionais neste século XXI, segundo o World Economic Forum: solução de problemas complexos, julgamento e tomada de decisão, pensamento crítico, inteligência emocional, flexibilidade cognitiva…

Distância abissal? Que país estamos construindo para nós e nossos filhos?

Sabemos o tamanho da dor, mas nem todos a sentimos. O problema parece estar no outro, ou nos governos que elegemos. Nem se trata de dinheiro; gastamos tanto do PIB quanto países mais avançados.

Propósito é um tema que está ocupando cada vez mais espaço no debate sobre razão de ser das organizações na sociedade. Sendo uma questão estratégica, tem um sentido de valor e  certamente se estende às pessoas. Daí a necessidade de educação estar incluída nos propósitos de todos, se não por convicção, em último caso por sobrevivência.

Os investimentos em educação (tempo e outros recursos) são indelegáveis, pessoal, coletiva e institucionalmente. Algumas oportunidades de envolvimento:

1         Pessoal: em que você pode investir seu tempo com o foco em educação em seu círculo social  como função de protagonismo cidadão;

2         Profissional / gerencial: tornar a educação em seu sentido maior  uma responsabilidade  dos gestores, além do treinamento convencional  Tornar-se um valor nas relações com as equipes e outras partes interessadas.

3         Institucional: ações que a organização assume focada em determinados objetivos consistentes,  sistemáticos e não assistencialistas. São iniciativas diretas (adotar uma instituição, incentivar a educação na família dos empregados, dar suporte a uma comunidade…)  e/ou indiretas, apoiando movimentos da sociedade, como o Todos pela Educação, Instituto Ayrton Senna…  Também a considerar que setores da área pública estão se abrindo a parcerias com outros agentes da sociedade.

Com relação ao reskilling  tão necessário quanto urgente, investir pesado e sempre no recurso humano;  jamais esquecer que um empregado com limitada formação educacional em diferentes níveis de profissionalização   dificilmente saberá operar  ferramentas de trabalho, convivência  e  pensamento  do novo processo produtivo. Capacitar, instruir,  treinar, educar, formar e desenvolver, enfim,  são  células vivas de um organismo  que só funciona articuladamente.

Vivemos uma realidade dramática. Impossível fingir que não vemos. Se não trocarmos tolerância por indignação e de indignação para ação, correremos o risco de virar cúmplices de um processo desagregador da sociedade.

* IBGE PNAD 2017

Valor: Caderno A aposta na educação – 18/10/2019

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