A relação é um eixo, não um canal

POSTADO POR thiago 22, abril, 2019
Gente

Luiz Augusto Costa Leite

É permanente o debate sobre a importância de as pessoas trocarem informações sobre seus comportamentos nas organizações em busca de seus resultados superiores.

É natural que as pessoas queiram dar o melhor de si, também no trabalho. O que, então torna o diálogo ambivalente em conforto e desconforto?

Começando pelos condicionantes ambientais (eu e minhas circunstâncias), o mercado pressiona as organizações com modelos de gestão em que a contribuição pessoal é regrada por expectativas e controles raramente condizentes com o princípio de autonomia esperado de um ser humano adulto. No correr das entregas esperadas, se a organização se prender ao modelo clássico de autoridade-obediência, o diálogo tende a ser estereotipado e efêmero.

A cultura da organização é outro influenciador de comportamentos coletivos. Dificilmente alguém deseja afrontar a cultura dominante, sob o risco de ser exilado, para dentro ou para fora. Em culturas de distanciamento de poder, por exemplo, não haverá limpidez nos canais de comunicação. O certo e o errado estão carimbados. Um breve contra a diversidade. Em culturas de convergência, o contrário.

Que não se atribua às pessoas, portanto, peso excessivo na hora de responsabilizar seu desempenho. Seria um redutor de qualidade.

É somente num terceiro estágio que o diálogo em busca da excelência profissional ganha sua principal força: a relação entre os envolvidos. O que é feito de premissa tão consagrada que parece ficarmos sempre atrás do que seria aceitável? Não é um formulário eletrônico ou mensagem de WhatsApp que resolverão isso. Todas as definições de competência profissional expressam o relacionamento interpessoal em nível de prioridade. Difícil avaliar a efetividade de seus treinamentos. É mais fácil criar processos com prescrições convencionais do que abrir o diálogo idiossincrático a partir das experiências mútuas, numa perspectiva de ajuda comum. Sim, o relacionamento humano é complexo, mas não é a criação de regras e entregas empacotadas que o tornará melhor.

O ponto principal desta reflexão é que o desempenho é interdependente nos resultados e dependente das relações. Antes de estabelecer padrões institucionais sobre excelência no comportamento produtivo, cabe às lideranças organizacionais investir no relacionamento interpessoal, superior aos dispositivos processuais. As pessoas são diferentes e é da inclusão desta característica nos modelos mentais de um, do outro ou do grupo que um novo conceito de excelência prevalecerá na mutação da dinâmica do mercado.

A relação não é um canal entre input e output, mas a essência de uma vida saudável nas organizações.

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