Joe Biden e seus desafios de liderança

POSTADO POR thiago 18, maio, 2021
Gestão

Luiz Augusto M. da Costa Leite

Dizer o que precisa ser feito ou ouvir o que os outros dizem?

Não se trata de um dilema absoluto. A construção de uma “política de liderança depende  de  conjunturas amplas e complexas, muito mais do que conveniências  localizadas ou personalidades atraentes.

Tome-se o caso de Joe Biden.  Segundo o historiador Quinn Slobodian, em entrevista a O Globo* “muitas pessoas o comparam a Franklin Roosevelt, mas penso que é uma comparação enganosa, porque Roosevelt tinha muitas ideias próprias, enquanto Biden principalmente retira as suas ideias de quem estiver próximo. Ele acredita que, como político, serve para agregar grupos”.

Troque-se “político” por líder executivo e “grupos” por equipes e aí se encontra um modelo desafiador para os tempos atuais. Muitos executivos costumam  se  dar ao direito de pontificar e demonstrar como sabem jogar poder; prescritivos na sabedoria de egos inflados.

A gestão, na verdade, é  uma vertente da política, cuja função é  agregar grupos, não importa os estratos em que se localizam.

Biden é um grande  líder de longa carreira em um mundo em crises. Deu as costas para o decadente e corrompido modelo de liderança de seu antecessor. O país não estava mais à espera de um salvador da pátria, mas de alguém que conseguisse somar talentos, visões, expectativas e interesses diversos para reconstruir uma sociedade com vigor  econômico e bem-estar social. Conviver com pressões. Como ter uma resposta única vinda de cima?

Biden consultou e “as pessoas lhe disseram que tinham ideias”. Sua luz é diferente. Num futuro incerto, há que assumir riscos inteligentes.

Ainda a entrevista: “Falei com algumas das pessoas que fizeram parte da equipe de transição, e eles próprios ficaram chocados com a pouca resistência encontrada ao que consideravam ideias radicais. Esperavam que alguém dissesse não, mas ninguém o fazia.” Não é que faltassem ideias, mas alguém que as reunisse; alguém com liderança para tal.

Uma lição para nossas lideranças: melhorar não significa transformar. É preciso entender este conceito executivo de radicalismo não extremista. Ajudar a plantar uma nova árvore e não só  regar a que está contaminada. É para isso que servem as ideias radicais. Biden não parece  um lenhador. Está mais para agricultor. Não confronta o sistema, mas como é dirigido. Colherá méritos ou pagará o preço pela ousadia.

Em nossos seminários repetimos a cantilena “saber ouvir, saber ouvir”. Pois bem, não basta saber ouvir, mas ter uma liderança que sabe o que quer ouvir, mesmo que surpreendente.  Talvez o mais importante traço gerencial em nossas organizações tão titubeantes  em sua coragem de mudar.

* É precipitado decretar o obituário do neoliberalismo’, afirma historiador do pensamento econômico  André Duchiade  09/05/2021 – 04:30

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