Os caminhos para a colaboração

POSTADO POR thiago 18, fevereiro, 2020
Comportamento

 

Luiz Augusto Costa Leite

Envolvidos com os  modernos processos de trabalho, como agile, design thinking, squads e correlatos, esquecemos que a raiz de suas características está no lado de fora das organizações. Tomemos como  exemplo o World Economic Forum, que reúne a elite global do pensamento empresarial, institucional e governamental, ou seja, quem define os rumos da sociedade produtiva.

Seu  Manifesto de Davos 2020 diz que é chegado o momento de se  adotar um novo tipo de capitalismo, não mais o de acionistas e de Estado (insustentáveis), mas o de stakeholders.

As organizações devem  incluir as partes interessadas em seus propósitos.  O conceito não é exatamente novo, mas  ganha significado maior e  tira da subjetividade o princípio da colaboração.

Propósito significa ir além do simples lucro de curto prazo. Pressupõe que as organizações participem efetivamente da solução de problemas de pessoas e do planeta em forma de lucro sustentável. Crescente número de empreendedores globais começa a aderir ao conceito.

Colaboração público-privada, mudanças inclusivas na relação com consumidores, funcionários, fornecedores e comunidades são o novo desafio de lideranças robustas como vêm sendo definidas.

Um profissional não precisa ser cenarista, mas um bom leitor das relações do macroambiente com o micro de  seu dia-a-dia de trabalho.  Visão sistêmica e  raciocínio crítico facilitam entender  o porquê dos  novos paradigmas, modelos mentais, estratégias de negócio, tecnologias  e principalmente valores.

Percebe-se, então, que o sistema só funciona com práticas colaborativas, mas como fazê-lo?

Destacam-se duas forças: integração e internalização. No primeiro caso estão as combinações colaborativas entre organizações, incluindo seus valores, como práticas de sustentabilidade e responsabilidade social,  nas interdependências produtivas com as partes interessadas.

O grande desafio é  instrumentalizar as organizações para internalizar  a urgência da colaboração. Processos facilitadores começam com a adoção de uma cultura  de cooperação onde  pessoas e segmentos maximizem a qualidade de seus relacionamentos em ambiente de confiança mútua.

Atividades tipo squad, por exemplo,  são a materialização da cooperação profissional/funcional. Equipes multifuncionais com habilidades diferentes, empatia,  novas posturas  em negociações, leveza em liderança representam a nova configuração do trabalho. São as partes interessadas internas, que cooperam nos processos e colaboram alinhados aos propósitos finais da organização.

Dominar os  stakeholders  deixa de ser uma prática dominante no universo competitivo de negócios e relações institucionais. É hora de  incluir as partes interessadas nas prioridades em seus propósitos, tanto na integração externa quando na internalização.

Ambas são complementares em valores e práticas e aí está a importância de o profissional saber interligá-las em seu trabalho.

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