Quer liderar? Melhor aprender a tomar decisões

POSTADO POR thiago 7, julho, 2021
Comportamento

Aos 21 anos, ainda estudante de engenharia, me tornei supervisor de manutenção em uma das fábricas da Philips do Brasil.

Foi um dos dias mais eufóricos da minha vida! Voltei pra casa flutuando….havia me tornado chefe! Contei para meus pais, para minha namorada, saí até para comemorar gastando dinheiro de um aumento ainda não havia sido tratado.

Cheguei para trabalhar mais cedo na segunda-feira, sentei-me na minha nova cadeira de chefe, olhei para a “minha” sala e disse – agora é minha vez!

A alegria durou pouco. O eletricista entrou esbaforido na sala e disse que o capacitor da subestação havia acabado de explodir. Meu chefe chegou, mais rápido do que um raio, pedindo para eu tomar ações urgente, pois estávamos utilizando a linha de backup para alimentar a fábrica.

Eu não tinha a mínima ideia do que fazer. Eu era técnico eletrônico de manutenção daquela fábrica – cuidava das máquinas da produção. Mas alí, eu estava na área de distribuição de energia. A comparação é como querer que um médico cardiologista tenha as mesmas competências de um médico pneumologista. São disciplinas totalmente diferentes.

Duas horas depois meu chefe volta e pergunta: “Já resolveu?!?!”

Eu estava estático olhando para a porta da sala, como querendo que uma luz viesse dos céus.

Me vendo paralisado ele percebeu o que estava acontecendo. Aquele garoto era um bom técnico, mas era seu primeiro dia como líder.

Foi quando ele disse – “liga para o fornecedor X, temos uma linha de emergência com eles”. Continuei estático. Eu não tinha ideia de onde procurar o telefone, com quem falar, e muito menos, o que falar?

“E se o fornecedor me fizer uma pergunta que eu não saiba responder? O que vai ser de mim?”

Passei umas duas horas recuperando meu material da faculdade e fazendo cálculo para solicitar o capacitor com as especificações corretas. Afinal aquele estava carbonizado e eu não tinha nenhum documento dele (lembrando que Google não existia).

Meu chefe voltou novamente e percebeu o “jovem chefe” não ia resolver e ligou na minha frente. Pediu para eles nos visitarem com urgência. Eu apenas o ouvia dizendo ao telefone – “não sei, não tenho ideia, ele não trabalha mais aqui, o novo supervisor começou hoje”, “sim venham com urgência por favor”.

Em 45’ chegou uma equipe do fornecedor. Abriram um computador estranho (hoje chamamos ele de notebook) e fizeram algumas perguntas, respondidas prontamente pelo nosso eletricista.

Eu respondi e disse que precisava de um capacitor com a especificação X.

Eles se entreolharam e me perguntaram “como você sabe que é essa especificação?”

Fiz os cálculos aqui no caderno, respondi mostrando umas cinco páginas de cálculos.

Não vejo essas contas desde a época da faculdade, respondeu o engenheiro mais sênior do grupo. Parabéns, você chegou muito próximo! Sorriu, virando o notebook para mim com a especificação sugerida. Entretanto, você não precisava fazer essas contas, pois nosso sistema já calcula tudo isso. Vamos solicitar as peça na fábrica para a devida substituição.

Dali pra frente, até hoje, posso dizer que tive centenas, senão milhares de decisões tomadas. Algumas simples e prazerosas, outras nem tanto. Mas o que mais me marcou naquele dia foi que eu teria uma longa jornada de aprendizado se quisesse passar a tomar boas decisões e solucionar problemas que demandavam um outro nível de pensamento crítico que até então nunca tinha usado.

Nas próximas semanas iremos compartilhar insights e métodos para lhe apoiar a tomar melhores decisões. Se inscreva em nossas redes e curta essa jornada conosco.

E você? Qual sua história nos seus primeiros passos como líder? Compartilhe conosco.

Abração

Rogério Babler

 

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