Um abraço virtual

POSTADO POR thiago 10, setembro, 2020
Gente

Luiz Augusto M. da Costa Leite
Conselheiro de mhconsult

 

Nunca se viu ou ouviu um guru falar de suas relações pessoais, especialmente familiares. As contracapas biográficas de seus livros falam de seus êxitos profissionais.

Mesmo Bill e Melinda Gates são mais conhecidos como empreendedores sociais do que como um casal em carne e osso.
A exposição da vida pessoal e de relacionamentos é feita no nível racional-utilitário. Tudo muito formal no politicamente correto, com sorrisos protocolares.

Não é só com eles. Os próprios currículos profissionais são um biombo da vida pessoal. Somente agora os nomes de cônjuges e filhos começam a aparecer.

Pois bem, algo parece estar mudando.
Dave Ulrich, o papa de Recursos Humanos, apareceu em live do Conarh/ABRH mostrando várias fotos da beloved family em viagem a Disney para satisfazer os netos. Não uma, mas várias fotos sacadas no meio de suas prescrições sobre o papel de RH.

Outro exemplo: Raj Sisodia, cocriador do conceito de Capitalismo Consciente, , postou fotos como criança com pais e avô em entrevista publicada no jornal Valor, abrindo ao público sua reconciliação com a mãe.(28/08/2020).
Em tempos de pandemia, as lives são feitas dentro de casa, onde podemos espreitar algumas intimidades de decoração e estantes recheadas de livros. Isso aumenta a exposição pessoal.

E os cumprimentos por aniversário? O que antes era limitado a um singelo bolo mensal na empresa, hoje são pessoas se saudando diariamente pelas redes, mesmo que não tenham relação social próxima.
Fim da privacidade ou novos formatos de relações pessoais?

É preferível imaginar que há um avanço na comunicação humana, uma espécie de antivírus da frieza tecnológica. As redes sociais destravaram os encarceramentos individuais. As intimidades parecem mais expostas voluntariamente.

É curioso porque a sociedade do consumo, logo existo é individualista, o que sugeriria o leave me alone com minhas idiossincrasias. Talvez por isso mesmo as pessoas encontrem um escape ao isolamento e à solidão (às vezes, depressão) ao compartilharem experiências e afetos, mesmo se circunstanciais. As pessoas precisam se mostrar como são, cuidando de si mesmas, dos outros e do mundo.

Em tempos de trabalho remoto, vemos mães com crianças no colo, um cachorro que late, ou alguém passando por trás. As fotos das famílias de nossos gurus podem até ser midiáticas. As saudações natalícias à distância ressentem-se, é verdade, de um abraço íntimo e caloroso. Mas funcionam.

Sejam quais forem as razões, é bom conviver nessas aberturas. Ajudam a humanizar o que parecia confinado ao formalismo das regras (anti)sociais.
Agosto de 2020

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