Propósito e Neuroliderança

POSTADO POR thiago 31, janeiro, 2020
Neurociência

Propósito e Neuroliderança

Imaginem um homem primitivo que andando pela floresta se depara pela primeira vez com galhos de árvores em chamas, um fogo aceso por um raio ou combustão natural. Inicialmente se assusta e depois, com muita cautela, começa a se aproximar para entender melhor do que se trata. Ao aproximar-se, começa a sentir um agradável calor emanando do fogo, se aproxima e começa a aproveitar o achado para se aquecer. Até aqui, o fato de ser humano não faz diferença. Qualquer animal poderia ter a mesma reação.

Mas nosso homem primitivo faz algo muito especial e único. Começa a pensar que seria muito bom ter essa coisa para iluminar e aquecer a caverna onde mora com sua família e talvez outras famílias. Adicionalmente, se chegasse na caverna com essa coisa certamente se tornaria muito popular e respeitado no âmbito da “comunidade”. Mas, tem um problema: ele não sabe como fazer.

Então começa a pensar como poderia levar os galhos em brasa para a caverna e, após algumas tentativas falhadas, consegue. O único ser vivo no planeta que conseguiu dominar o fogo … e outras coisas.

O cérebro humano, ao longo de centenas de milhares de anos de evolução natural, foi configurado para ser uma maravilhosa máquina de realizar propósitos por meio das funcionalidades que caracterizam o Homo Sapiens Sapiens: imaginação, inteligência, criatividade e engenhosidade. Se nosso homem das cavernas não fosse capaz de se visualizar na caverna ao lado de um fogo se aquecendo com a família, uma situação naquele momento totalmente imaginária, jamais vivida antes, e sem saber ainda como realiza-la, não teria motivo nem estímulo para buscar uma forma de levar o fogo até a caverna.

O propósito é o gatilho do processo de solução de problemas que está à base de nossa engenhosidade. É a partir da visualização de um objetivo (ao lado do fogo com a família) e de sua valoração emocional (sentindo-se aquecido, confortável e orgulhoso) que o cérebro começa a buscar uma forma de realizá-lo, ao longo de um processo que implica em altas e baixas do nível de dopamina até chegar-se a uma solução e gravá-la para uso futuro: o aprendizado. Aprendemos solucionando problemas.

A capacidade de atingir objetivos depende de três fatores distintos, o tripé da eficácia: Querer, Poder, Saber. Querer está em primeiro lugar porque é o mais importante e também o mais difícil.

Como disse o gato para Alice “se você não sabe aonde quer ir, nenhum caminho é o correto!”. Poder e Saber sozinhos não realizam nada a menos que haja Querer para alavancá-los. Tudo começa no propósito. Mas querer adequadamente é difícil. É comum sofremos da síndrome do “quero, mas não quero muito”. Mesmo quando achamos que queremos muito, não temos na realidade clareza do que queremos exatamente ou pensamos em termos do que não queremos. Porém, o cérebro não foi configurado para trabalhar em “não-objetivos”: parar de se preocupar, não fazer algo , perder peso, deixar de fumar, etc.

Querer de uma forma que otimize o potencial do processo de solução de problemas do cérebro, um propósito poderoso, e assim maximize as chances de realiza-lo, é algo que precisa ser aprendido.

O poder do Propósito, como este age no cérebro e como devemos fazer para querer de maneira ideal é provavelmente o mais importante dentro dos conceitos de Neuroliderança.

 

Autor: Carlos Diz

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